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MEMORIAL DE TRAJETÓRIA







MEMORIAL DE TRAJETÓRIA


PROLÓGO


O Memorial, um dos requisitos para o concurso de Pós-graduação em Vigilância em Saúde promovido pelo Hospital Sírio Libanês, consiste na “exposição escrita de modo analítico e crítico sobre as atividades desenvolvidas pelo candidato, contendo todos os aspectos significativos de sua trajetória profissional”. Desta forma, o Memorial é a narrativa da própria experiência retomada de fatos importantes e marcantes que nos vêm à lembrança. Logo, redigí-lo é um exercício sistemático e essencialmente subjetivo de relatar a própria história, revendo a trajetória não só acadêmica, mas também de vida, já que ambas são inseparáveis. Este é um exercício de autoquestionamento, marcado pelo potencial viés de memória, mas também pelo da subjetividade. De sorte que interpreto a redação deste Memorial como sendo marcada inteiramente pelo desafio.
A utilização, ao longo de toda a narrativa, de “minha”, “meu” e “eu” poderão despertar sentimentos que sugiram algum grau de individualismo nas ações e nos pensamentos que aqui são registrados. Contudo, sendo o Memorial a inferência do autor sobre sua atuação universitária, docente, profissional e científica, manter a linguagem na terceira pessoa do singular ou do plural poderia parecer artificial. De sorte que o uso da primeira pessoa e dos pronomes possessivos foi opção consciente. Essa denotará a interpretação unilateral e os meus pontos de vista sobre os fatos a serem relatados, não necessariamente compartilhados da mesma forma pelas demais pessoas envolvidas direta ou indiretamente. Assim, usarei sempre este estilo ao longo do Memorial. Por outro lado, só sou o que sou porque grande número de pessoas tiveram e têm participação forte e marcante na formação humanística da pessoa, da professora e da enfermeira.
Esta narrativa inicia-se de antemão marcada pela máxima da epidemiologia: quem, quando, como e por quê? Ou seja, a busca pelas respostas a essas perguntas far-me-á percorrer o trajeto que me trouxe à realidade atual: porque quero eu ser especialista em Vigilância em Saúde? Para isso, devo voltar ao passado, avaliar o que esse representa no presente e vislumbrar os desafios do futuro, mesmo conhecendo as limitações desse curto interstício que é a minha vida.

1.    ESSENCIALMENTE SUBJETIVA

Texto de apresentação do meu Curriculo lates ( http://lattes.cnpq.br/2847774618262774)
“Marília Arcoverde de Holanda, Enfermeira graduada pela Faculdade de Enfermagem de Arcoverde, possui pós-graduações em: Saúde da Família na Atenção Primária pelo IBPEX (2008); Gestão dos Sistemas de Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ-PE 2011); Análise de Situação em Saúde pela UFMG no ano 2016. Sou Coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Arcoverde.
Essas breves frases, disponíveis na introdução do meu currículo lattes, vou descrever um pouquinho de quem sou eu realmente. São quase dez anos de formada, nesta profissão que amo e tudo que faço é por amor, marcada por muitas conquistas e muitos desafios também. Casada há 5 anos com Fábio de Holanda, o qual me incentiva bastante com os meus projetos, tenho um filho Samuel de três anos de idade o qual é a razão da minha vida e de busca por novos horizontes. Enfim além de mãe, esposa, sou enfermeira.

1.1 ONDE E QUANDO TUDO TEVE INICIO

Nasci no dia 13 de Agosto de 1984, na linda e maravilhosa cidade da Pedra no Estado de Pernambuco. Meus pais, Ismael de Holanda Cavalcanti Filho e Maria Alves Arcoverde de Holanda, quando na madrugada de uma sexta-feirra treze do mês de agosto chego a este mundo. Meu pai, na época comerciante dono de bar e, minha mãe, comerciante balconista de farmácia, não tinham exatamente planejado a chegada de mais um filho, mas vim... talvez, desde cedo marcada pela determinação que sempre pautou minha vida. Desde pequena, fui conhecida como a ga­rota que fazia inúmeras perguntas, que não parava de falar e comer, sempre gostei muito de comer e não tinha restrições a nada.
Cheguei à escola no maternalzinho com um ano e oito meses, porque não ficava em casa sozinha enquanto meus irmãos iam para escola, fiz do maternal até a quarta serie do ensino primário, na Escola José Florêncio. Fiz o ensino fundamental no Colégio Professor Brasiliano Donino da Costa Lima, e o ensino médio no Colégio Cardeal Arcoverde. Fui para Recife fazer cursinho, onde fiquei por lá três anos, quando realmente decidi o que ia fazer de faculdade e passei.

1.2 ESCOLHA DA PROFISSÃO

Tenho que admitir que na minha infância e adolescência, sonhei em ser médi­ca. Aliás, para todos os que me conheciam bem, esta seria uma das opções possíveis, pois queria ser profissional de saúde e convivia sempre com a doença do próximo, isto para não falar da morte. Mais não passei no vestibular para medicina e a outra opção era Enfermagem, comecei a cursar e hoje sou realizada. Talvez o destino possa ser “responsável” pela minha opção de ser enfermeira. Sim esse mesmo que segundo Pessoa dizia “o Destino é um infinito de poéticos desígnios”. Sempre fui o “anjo” de todos da família quem acompanhava para todos os tratamentos médicos, nada diferente da essência da enfermagem, Gente que cuida de gente.

ENFERMAGEM

Em janeiro de 2004, prestei vestibular para Enfermagem na Universidade Federal de Pernambuco e na Faculdade de Enfermagem de Arcoverde. Apesar da decisão pela Enfermagem, o medo de não ser aprovada, já se fazia presente, mais com dois dias após um dos professores da faculdade me ligaria dizendo que tinha sido aprovada no vestibular de Arcoverde e automaticamente meu pai foi fazer minha mudança de Recife para a Pedra novamente. Contudo, para mim, ali estava a minha realidade, cursar enfermagem. Bem, o resultado já todos sabem: vi­rei enfermeira! Afinal, existia o desejo de trabalhar com gente diferente, de raças distintas, de credos múltiplos, de dores ambíguas e de diversas vontades. Em fevereiro de 2004, dei os primeiros passos rumo ao que sou hoje. Os anos de fa­culdade foram deliciosos, durante os quatro anos de curso, enfrentei  várias coisas, pois era a primeira turma de enfermagem da faculdade, brigamos muito porque queríamos sempre o melhor, muitos amigos, encontros e desencontros, ficando gravado em meu coração os melhores anos da minha vida e relatado na música de Milton Nascimento:
“Amigo é coisa para se guardar, do lado esquerdo do peito,
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
Oque importa é ouvir
Avoz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
Ate encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar”

O título de enfermeira foi-me auferido no dia 17 de dezembro de 2007, em meio a muitas ce­lebrações e a alegria de ter comigo e minha família.

1.3  MESTRES

Tia Marleide, tia Juce e tia Auristela, assim era chamada as minhas primeiras professoras no primário, deixou indeléveis marcas na minha formação na busca pelo correto e por estimular-me sempre a alcançar o “quase” impossível. Logo após as professoras do fundamental que continuávamos chamando de tia, sempre junto e incentivando o alcance dos objetivos individuais de cada uma, o mais engraçado, meu pequeno Samuel estuda nessa mesma escola onde fiz o meu primário ainda com a presença de algumas das professoras do meu tempo e com as mesma dedicação, vem lágrimas nos meus olhos quando vou leva-lo na escola e quando vai se aproximando do portão da escola ele diz: “mamãe vamos para tua escola que hoje é minha também”, é muito bom lembrar dos momentos ali vividos, saudades.
Na faculdade alguns momentos ficaram marcados, a aula de Anatomia com Prof. Graça nos bonecos e computadores e na Federal em Recife com os cadáveres de verdade com Prof. Viana. Não posso esquecer de relatar a professora de Bioquímica e Farmacologia a qual chamávamos de Tata terror, Prof. Tarciana, aprendi muito com ela. Esquecer do professor de Emergência e Metodologia jamais, Prof Augusto o qual foi meu orientador também, momentos memoráveis vividos nesse período. Os dias foram passando, fui avançando nos períodos e chegou a tão esperada aula de Obstetricia com a Doutora Lucia Menezes ensinamentos para vida toda, eita quantas lembranças maravilhosas com a professora de Ginecologia a qual chamávamos ela de bonequinha e não posso esquecer da Diretora da Faculdade a Drª Silvia Renata que não media esforços para conseguir o melhor, foi tanto que obtivemos o reconhecimento do curso antes mesmo de terminar.

2.    TRAJETÓRIA COMO ENFERMEIRA

2.1 Vida Profissional

Terminada a graduação, fiquei muito emocionada e contente porque em seguida fui convidada a fazer parte agora do Corpo docente da instituição que me formei, passei a acompanhar grupos de estágios nas mais diversas áreas, tais quais: centro cirúrgico, pediatria, neonatologia, saúde coletiva, alguns anos depois, fiz uma seleção e passei para lencionar aula teórica onde lecionava Enfermagem em Pediatria, Enfermagem em Neonatologia, áreas que sou apaixonada. Mais o que eu mais queria era ganhar dinheiro para comprar um carro. Fui convidada para trabalha em uma Unidade Básica de Saúde em Capoeiras-PE, assumi e horários eram compatíveis. Assim fui me envolvendo com o que vinha acontecendo na minha vida. Fiz uma seleção que abriu para trabalhar na Regional de Saúde fiz essa seleção e passei, foi uma experiência ímpar, trabalhar na gestão era algo que me chamava a atenção porém, ainda a oportunidade não tinha caído na minha porta. Deixei o PSF de Capoeiras em 2008, fiquei trabalhando na VI GERES e na Faculdade de Enfermagem. Na geres era um contrato temporário e já estava prestes  a terminar, em 2009 tive a oportunidade de ser convidada para trabalha na Secretaria Municipal de Saúde de Arcoverde, onde assumiria como enfermeira da Unidade Básica de Saúde Maria do Carmo Guedes, lembranças maravilhosas desse período ficaram marcados na minha memória construí ali uma família, fiquei nessa unidade dois anos, após esse período fui convidada pelo secretário de saúde para assumir a Coordenação da Vigilância Epidemiológica do município, a qual iniciei meus trabalhos em julho de 2011 onde permaneço até os dias atuais, e hoje posso dizer que sou apaixonada pela vigilância em saúde.
Nessa jornada profissional paralela as atividades de vigilância que exercia, surgiram outras oportunidades de trabalho paralelo que fui executando, ministrando aulas no curso técnico de enfermagem pela Escola de Governo do Estado de Pernambuco, plantões na UTI do Hospital Regional Rui de Barros Correia.
No ano de 2013, fui convidada a assumir a Coordenação de Atenção Básica do Município da Pedra, assumi e fiquei nessa coordenação de janeiro a agosto do mesmo ano, onde sai desta coordenada e assumi a coordenação de planejamento e gestão, onde permaneci até dezembro de 2016, muitas experiências validas e muito aprendizado.


2.2 Vida Acadêmica

            Sempre gostei muito de estudar e me atualizar, não seria diferente nessa etapa da minha vida. Mesmo ainda cursando Faculdade ingressei nos cursos de pós-graduação, que para mim era um desafio fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Ingressei na pós-graduação em Janeiro de 2007, no IBPEX em Recife-PE para cursar Saúde da Família na Atenção Primária e Obstetrícia, recebendo o título em janeiro de 2009. No ano de 2011, fiz uma seleção da FIOCRUZ-PE para cursar o curso de pós-graduação em Gestão dos Serviços de Saúde, passei e cursei as aulas eram ministradas na cidade de Triunfo-PE, que período tão rico e marcante para minha vida profissional obtive o título em Março de 2013. Em março de 2015 fiz outra seleção para cursar uma pós-graduação almejada por muitos que trabalham com tabulação dos indicadores de saúde, Analise dos Sistemas de informação em saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais, a qual obtive o título em novembro de 2016. Em março de 2017 fiz a Seleção do Hospital Sírio Libanês para cursar a pós-graduação em Vigilância em Saúde, a qual fui aprovada e estou em curso.
            Em paralelo a essas pós-graduações, fiz cursos específicos na área de vigilância, fui a congressos apresentar trabalhos e ministrei cursos e palestras tanto para acadêmicos quanto para profissionais de saúde.
Escrever sobre cada um dos aspectos de minha produção científica e acadêmica é difícil, pois se­ria o romancear de cada trabalho, cada capítulo de livro e cada participação em congres­sos, jornadas etc. Por si só, cada um tem sua história e particularidade.

CONCLUSÃO

Talvez, o que mais deseje seja exatamente ensinar para aprender, para fazer bem a alguém e semear um pouco de paz e um tanto de Deus. Afinal “o que eu sou é o que me faz viver”, parafraseando Shakespeare. Cada dia é único e vivido com o máximo de emoções. No caminhar dos anos e no aparecer dos cabelos brancos que vão se sobressaindo sobre os castanhos, posso afirmar que não quero voltar no tempo, isso sim. Esses momentos ficaram no passado e o medo do insu­cesso que tanto fez-me sofrer, nos quais fui prisioneira de meus sonhos em noites sem fim, imaginando o que aconteceria caso falhasse, fazem parte de outro dicionário de vida. Ainda que nunca tivesse deixado de aventurar-me pelo desconhecido, aliás, característi­ca a mim tão peculiar, deixei que o medo do fracasso impusesse angústia desnecessária, o que hoje já não temo. De sorte que enfrento este momento com absoluta tranquilidade de alguém que alcançou muito mais do que sonhou, ainda que tenha sempre aproveitado todas as oportunidades com garra e determinação.




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